terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Madame Butterfly

Madame Butterfly estreou pela primeira vez nos palcos do célebre teatro Scala de Milão, na Itália, em 17 de fevereiro de 1904. Nessa apresentação, conta-se que o público rejeitou raivosamente o espetáculo, apesar das palavras do compositor italiano, que em sua opinião foi "a ópera com o mais profundo sentimento e imaginação" que ele já havia realizado.
O fato ocorreu em um dos períodos mais conturbados da existência de Puccini. Estava ainda de cadeira de rodas após sofrer um grave acidente de automóvel. Com a saúde debilitada ele também contraíra tuberculose.
Após esse primeiro fracasso, que contribuiu para abater ainda mais o compositor, ele retomou a obra, revisando diversas passagens e suprimindo algumas partes. A segunda versão da ópera, que estreou no final de 1904, para sua grande satisfação, encontrou uma calorosa receptividade entre o público.
Essa notável ópera, baseada em diversas versões diferentes da história de Madame Butterfly foi escrita originalmente por um norte-americano, e teve seu libreto composto pela dupla Luigi Illica e Giuseppe Giacosa.





A tragédia de Butterfly

A história passa-se no Japão feudal do século XIX, na época um país quase que totalmente isolado do mundo, com raros contatos com o continente. A partir de 1870, porém, os Estados Unidos procuraram iniciar relações diplomáticas com o País. A primeira expedição mandada oficialmente pelo governo norte-americano ao Império do Sol Nascente data desta época. Nas décadas seguintes, centenas de oficiais e soldados da marinha americana pisaram em solo japonês, alguns dos quais se estabelecendo na ilha e contraindo matrimônios temporários com jovens japonesas.
Especula-se que Madame Butterfly seria uma história verídica, uma narrativa do triste destino da jovem Cio-Cio-San, vítima de um desses casamentos de ocasião.
Sobre esses matrimônios temporários contraídos por gueixas e oficiais norte-americanos, são conhecidos dois textos famosos, "Madame Chrysantheme", escrito por Pierre Loti, e "Madame Butterfly", da autoria do advogado John Luther Long.
Tem-se conhecimento de uma entrevista concedida pela irmã de Long, que teria sido ela quem contou a história que foi registrada no texto dele, baseada em relatos de seu marido que na época vivia no Japão.
É nesta história que foi baseada a celebrada composição de Puccini. Madame Butterfly conta a trágica história da gueixa Cio-Cio-San,de apenas 15 anos de idade que, apaixonada pelo seu marido, o tenente da marinha Benjamin Franklin Pinkerton, decide abandonar sua religião, família e entregar a própria vida a ele em sua devoção. O norte-americano porém tem outros planos, encara o casamento apenas como um acontecimento de ocasião, e pouco tempo após contrair o matrimônio, retorna ao seu país com a promessa de retornar "quando os pintarroxos fizerem os seus ninhos". Três anos se passam entretanto sem que Pinkerton mande notícias, até que, em uma carta, confessa que se casou com uma mulher em seu País. Essa carta é encoberta por Suzuki, serva e confidente de Cio-Cio-San, prevendo que a carta causaria um estrago emocional na jovem apaixonada. Suzuki, por outro lado, pensando em fazer com que Pinkerton retorne, escreve a ele dizendo que Cio-Cio-San tivera um filho dele.
Certa manhã, elas presenciam o navio do americano aportando na costa japonesa, e Cio-Cio-San fica em êxtase esperando a chegada do marido em casa.
Ele, entretanto, surge na velha residência ao lado da nova esposa. Ao vê-la, Cio-Cio-San entende tudo e cai em prantos e Pinkerton revela o motivo sinistro de seu retorno. Pretendia levar a criança com ele para os Estados Unidos. A jovem gueixa, não podendo mais suportar a situação que presenciava, suicida-se em um ritual haraquiri com um punhal onde se lia a inscrição: "Com honra morre aquele que não mais com honra viver pode."
http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=6385

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