sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vaya Con Dios - What's a Woman




Entrevista com Dani Klein, vocalista dos Vaya Con Dios
Cultura - 28-04-2008


"Brahms não seria Brahms sem a música cigana"
Há duas décadas, o grupo belga Vaya Con Dios era um êxito em muitas rádios e discotecas europeias, com temas como "What's a woman when a man...". Vinte anos depois, o grupo liderado pela vocalista Dani Klein continua a dar concertos em todo o mundo. No dia 7 de Abril, véspera do Dia Internacional dos Ciganos, os Vaya Con Dios deram um concerto no Parlamento Europeu, em defesa dos direitos dos romanichéis. A entrevista que se segue foi-nos concedida pela vocalista do grupo.

-Quando é que se começou a interessar pela situação dos ciganos?
"Os Vaya Con Dios já deram bastantes concertos em países de Leste, onde existem muitos ciganos. Sempre que cantamos "Djelem djelem", o hino cigano que integrei no repertório, as pessoas reagem de forma entusiástica e identificam-se com a canção. Mas muitas das pessoas que se identificam com esta música têm uma atitude pessoal bastante discriminatória em relação aos ciganos. Por um lado apropriamo-nos da cultura cigana e, por outro lado, negamos e discriminamos o povo cigano. Não tenho nenhuma mensagem política a não ser a de que nos devemos respeitar todos uns aos outros."

-Defende que os romanichéis devem ser encarados de uma forma mais positiva, designadamente tendo em consideração a sua contribuição para a cultura europeia?
"Sim, uma vez que a música cigana contribuiu para a arte em geral: não sou especialista em música clássica, mas Brahms não seria Brahms sem a música cigana e este exemplo aplica-se a muitos compositores clássicos. A música, a língua e as tradições ciganas contribuem para a riqueza europeia: deveríamos interessar-nos por saber quem são e o que querem. Os romanichéis são, de certa forma, irredutíveis, querem viajar, não são sedentários e nós queremos forçá-los a sê-lo. Admiro os ciganos porque conseguiram resistir até agora. Hoje em dia vemos muitos ciganos em Bruxelas, nomeadamente quando estamos parados num semáforo. Muitas pessoas afirmam que não lhes dão nada "porque é fácil viver desta maneira". Eu não concordo e penso que é extremamente difícil viver assim! Será que alguém tem vontade de respirar dióxido de carbono o dia inteiro, para receber quinze ou vinte cêntimos e algumas reprimendas? Não me parece uma abordagem correcta. É importante aproximar as pessoas por aquilo que têm de positivo."

-Poderá a Europa contribuir para alterar essa perspectiva?
"Não sei quais são os poderes da Europa, porque não faço política. Mas se dispuser de meios para tal, sim. A ideia que esteve na origem da actual União Europeia foi a de impedir que países como a França e a Alemanha, por exemplo, entrassem em guerra! Se a ambição europeia é a paz, então a Europa poderá facilmente ajudar a aceitar os ciganos e as suas características específicas como parte do povo europeu."

-Enquanto artista, o que a leva a envolver-se na causa cigana?
"Envolvo-me com causas que considero justas, para defender a liberdade e o respeito pelo outro. Os artistas não rejeitam a diferença: inspiram-se dela. Os artistas inspiram-se em todas as influências que os tocam. A nossa música inspira-se em músicas diferentes. Para os músicos, o racismo é uma realidade menos palpável do que noutros meios. Ser artista é ser marginal e é também ser, de certa forma, incómodo para a sociedade. Essa marginalidade aproxima-nos das outras comunidades marginalizadas da sociedade. A arte sempre teve essa função de acabar com os preconceitos, de abrir as mentalidades e os espíritos."

http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+IM-PRESS+20080407STO25853+0+DOC+XML+V0//PT

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