terça-feira, 30 de junho de 2009

Cresci numa rua de terra batida e virei uma paisagista premiada


Filha de uma empregada doméstica e de um vendedor ambulante, Gislene Medeiros Mesiara, de 33 anos, virou uma executiva de sucesso. Então decidiu realizar um sonho: deixar o mundo mais bonito e ajudar quem precisa.

Depoimento a Angela Senra

"Desde criança, meu maior desejo era ver o mundo limpo e verdinho. Cresci em um bairro pobre da zona norte de São Paulo, a Vila Nova Cachoeirinha. Ali, sonhava em conhecer os lugares bonitos que via na televisão. Claro, tudo não passava de um sonho distante. À minha volta, as ruas eram de terra batida e a população vivia com dificuldade, num local onde a feiúra incomodava mais que a pobreza. Minha família não tinha recursos e faltava dinheiro para passear ou viajar. Como minha irmã mais velha e eu dividíamos o mesmo uniforme da escola, ela estudava pela manhã e eu só ia para a escola pública à tarde. No tempo livre, ajudava minha mãe a lavar a louça e tirava todas as sujeirinhas da pia imaginando que limpava também o rio Tietê. Também adorava cuidar das plantas, dos animais e até das crianças da vizinhança. Era comum minha mãe me flagrar dando banho em um animal abandonado ou em um amiguinho da favela. Eu devia ter uns 7 anos e adorava ver um pequeno, antes sujinho, todo arrumado.

No fundo, não me conformava muito com a realidade. Nunca acreditei que o sofrimento fosse o destino do ser humano. E tentava fazer a minha parte para melhorar o planeta, mesmo que de maneira ingênua. Claro, meus programas favoritos na tevê eram os documentários ecológicos sobre Fernando de Noronha, Amazônia, Pantanal. E planejava fazer a faculdade de agronomia, mesmo ciente de que minha família não tinha condições financeiras. Aliás, não compreendia direito como funcionava essa história de dinheiro. Parecia até um extraterrestre, tamanha a dificuldade em lidar com a idéia. Na minha inocência, acreditava que todo mundo poderia comprar o que quisesse. Se bem que, na nossa geladeira, não havia sempre de tudo. Iogurte, por exemplo, só aparecia quando alguém ficava doente. Na escola, comia o que era oferecido na merenda do governo ou levava alguma coisinha de casa.

Nem por isso desisti de sonhar. Por sorte, tive um bom modelo de perseverança dentro de casa: pais batalhadores e honestos. Minha mãe veio da Bahia aos 13 anos, descalça, em um pau-de-arara. Trabalhou como empregada doméstica, se casou com um vendedor ambulante e, junto com ele, criou três filhas muito bem. Ambos diziam que a única chance que tínhamos de mudar de vida seria por meio dos estudos e do trabalho. Assim, aos 9 anos, descobri que a melhor maneira seria arregaçando as mangas. Comecei como auxiliar do homem da cantina da escola em troca de um lanche melhorado. Aos 13, consegui emprego como recepcionista de um consultório odontológico. Dedicada, fazia o meu melhor: colocava flores nos vasos, lavava a escada, mantinha o lugar impecável. Meu plano, porém, era cursar agronomia na Universidade Federal de Viçosa (MG). Cheguei a prestar vestibular e passei, mas não efetuei a matrícula, porque não tinha condições financeiras de me manter longe de casa. Decidi: vou ganhar dinheiro. Continuação...
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Um comentário:

Fatima disse...

Gostei do começo, agora vou aguardar a continuação.
Bjs.

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